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Ótimo texto Ícaro, mas eu gostaria de acrescentar que esta rotina que você citou não é nem de longe…

Ótimo texto Ícaro, mas eu gostaria de acrescentar que esta rotina que você citou não é nem de longe exclusividade da geração Y. Tenho 45 anos, entrei numa agência de publicidade pela primeira vez em meados de 1989, desde então não saí mais. Sendo assim, posso te garantir que esse trabalho à margem da escravidão sempre existiu. Como não tínhamos tecnologia para home office, o sistema era office office mesmo. Para ti ter uma ideia, o prazo de entrega de material nos jornais era, oficialmente, às 22 horas, na prática, meia noite.

Perdi a conta de quantas vezes, após a aula noturna na faculdade voltei pra agência para terminar meu trabalho. Provavelmente, o mesmo número de vezes que não pude ir para a aula.

Também nunca ganhei hora extra, muito menos bônus de final de ano.

Não quero entrar numa discussão ridícula do tipo PeléXMessi mas produzíamos muito também, sem falar do convívio diário com cola à base de benzina, químicos de revelação fotográfica e cortes constantes com estiletes. Ahh, fumava-se descomedidamente em qualquer ambiente, tivesse ou não janela ou menos de três metros quadrados.

Fazem onze anos que tenho a minha agência. Lá não tem trabalho escravo, trabalhar além do horário é eventual, muito menos do que as folgas que concedo sem descontar do salário. Mas sei que somos exceção, sei que os anos oitenta ainda vivem nas agências de hoje. Como empresário posso te garantir que essas cargas horárias absurdas são fruto de incompetência ou de má fé. Por vezes, dos dois juntos.

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